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{ minha experiência } por lu gastal

    É bem, bem feliz que eu publico esse post aqui no Assim,Sim! :) Adoro o trabalho da Lu Gastal e já acompanhava as aventuras dela no seu novo empreendimento... e também as dicas ótimas da Tia Linha, da coluna Alinhavos & Gestão, onde ela compartilha todo o seu aprendizado no mundo craft! Quando a Lu aceitou dividir sua experiência com a gente, fiquei muito feliz. Uma ótima inspiração para todas nós... e uma exemplo real de que persistência, força de vontade e muito coração são quesitos essenciais para realizarmos nossos sonhos! Lu, muito obrigada! Beijinhos, da Cissa.

{ conheça lu gastal }

Conheci a Cissa em setembro de 2010, quando comecei a dividir as experiências da gestão do meu “craft business”, e recentemente nos encontramos aqui nos blogs, de onde surgiu o convite para contar um pouquinho da minha experiência.

Me formei em direito, e advoguei num escritório durante 10 anos. Fiz pós graduação em metodologia do ensino, mas nunca me senti apta à docência. Minha auto estima não era das melhores! Aos 32 mudamos do sul para a capital federal, e a história profissional praticamente se zerou, era um recomeço de tudo, numa nova cidade, com novos hábitos e sem nenhum contato profissional. Consegui me empregar em trabalhos no legislativo (Câmara dos Deputados, Senado Federal e Governo do DF), tinha uma falsa ilusão de que seria uma atividade satisfatória. Me pós graduei em direito legislativo, que foi uma formação super prática e válida, mas trabalhar num ambiente político não exige reconhecimento, e sim apadrinhamento. Hoje és o melhor profissional do espaço, amanhã simplesmente és descartado por alguém que “oferece mais”. Algo nesse sentido. Hoje serve, amanhã não mais!


Depois de “pingar” em 3 empregos (sim, eram empregos) em pouco mais de 3 anos, tirei um tempo “sabático” e prometi a mim mesma que não aceitaria qualquer trabalho nessa área. Foi quando intensifiquei minhas produções craft, montei um ateliê na nossa casa, e comecei a fazer oficinas para meninas, que em seguida tinham turminhas lotadas. Em Brasília há muitos bazares, e em pouco tempo meu ateliê era conhecido e a clientela já se formava. Alguns meses depois, fui selecionada para advogar em uma empresa ligada à saúde suplementar, onde fiquei por mais de 3 anos.

Era um bom trabalho, consegui me reafirmar profissionalmente e como advogada tive boas oportunidades e desafios. Mas num certo dia caí no grande erro de aceitar um cargo melhor, salário dobrado, e foi a maior furada (ser chefe não era minha praia)! E na velha história da “dança das cadeiras” e das ambições profissionais, fui desligada. Costumava dizer que aquele fora o pior-melhor dia do ano; a sensação de um pé na bunda era frustrante (embora sempre empurre a gente prá frente), mas ao mesmo tempo saber que eu não precisaria mais suportar uma chefe falsa-pregadora-de-ensinamentos-éticos era o me fazia sentir feliz. Lá estava eu, novamente tentando melhorar minha auto estima.

Eu dormia e pensava “amanhã descobrirei o que quero fazer”. O amanhã vinha, ia embora, e nada de eu me encontrar. Seguia participando de bazares, exposições e àquela altura já tinha uma marca ligada à minhas atividades manuais, a Lu Gastal. Ainda de forma amadora, participei de grandes feiras nacionais, como a Paralela Gift, Feira de Patchwork do Senac, Brazil Patch Show e Festival de Patchwork de Gramado; em várias delas tirava férias nos trabalhos para poder me ausentar. Assim, durante um tempão, emendava semana e fins-de-semana trabalhando entre o direito e o craft. Mas as criações manuais ganhavam visibilidade, enquanto que as habilidades jurídicas eram estáveis, eu gostava, mas não vibrava.


Viajei bastante; parei, observei, pensei, fotografei, conversei, li. Incessantemente, era esse meu exercício. Em 2010, recém chegada à Porto Alegre, logo tratei de adaptar as crianças e arrumar em casa, para então pensar no que trabalharia. Respondi alguns anúncios de trabalho, e enviava o currículum já torcendo prá não ser chamada. Coisa estranha, sentimento ambíguo... A idade também reduz bastante a empregabilidade. Aquele era o momento de chutar o balde, e aí começou toda essa história!

Prá sair do amadorismo para uma “empresa de verdade” é preciso ousar, porém, sobretudo, acreditar! Trabalhar (muito), batalhar, e não desanimar. Tenho uma equipe afinada, e elas têm um excelente ambiente de trabalho, quero que se sintam em casa, e tenham energia, afinal, vivemos um lugar onde a criatividade é muito presente! Tenho uma família que me apóia, e sente minha vibração nesse novo e desconhecido caminho que optei (mas por muitas vezes questionaram o por quê abandonar uma formação para ir em busca do incerto). Tenho poucos e verdadeiros amigos que não me julgaram e sentem essa energia em minha atividade profissional.

Caramba, acabei de abrir algumas páginas da minha história... mas o que eu quero deixar aqui, pras leitoras do Assim Sim, é a certeza de que trabalhar com emoção, com amor, é uma experiência realmente muito forte! Tenho altos, baixos, dias bons, outros ruins, e por aí vai a lista que compõe a vida da maioria dos mortais. Mas estou feliz nessa busca, em ver o resultado de tanto esforço, de tantas tentativas, mesmo com pedras no caminho. E, tenho certeza, há muito o que explorar no mundo do que “adoramos fazer”!