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{ post coletivo } pronta entrega x encomenda, parte I

Por Cissa Chiarini

A Sara, do Tubittas, nos deu uma sugestão bem bacana sobre uma questão polêmica para os handmade business: investir mais nas encomendas personalizadas ou na pronta entrega? Como é um assunto comum no nosso mundo, propus escrevermos um post coletivo com os comentários e experiências de quem vive isso no dia-a-dia... e recebemos vários depoimentos fofos de pessoas queridas que compartilharam suas vivências e ideias.

Se pudesse resumir a maioria das opiniões com um depoimento, escolheria o da Lu Soares, do Lu Soares Bolsas + Acessórios: “Criar nossos produtos ao nosso gosto e depois vendê-los, exatamente como concebemos, é tudo de bom! Mais rápido e prazeroso. Mas, não aceitar encomendas não seria uma contradição? O crafter (ou artesão) faz sua arte uma a uma, com cuidado, dedicação e... exclusividade! E esse é o ponto – um de nossos grandes argumentos de venda – ter algo exclusivo, com a ‘cara’ e o gosto do cliente. Dá trabalho, sim. Às vezes até atrapalha o andar da carruagem. Mas, se o cliente for alguém que dá valor ao nosso trabalho – e está disposto a pagar mais por isso – merece nossa atenção e nosso esforço para cativá-lo, não?”

 { crédito :: eva caroline }

A ideia de que a essência de um negócio craft/artesanal seja atender cada cliente com exclusividade foi quase unânime e sabemos que o processo de valorização do artesanato está acontecendo por causa da mudança no perfil de clientes que buscam cada vez mais produtos feitos especialmente para eles, como a Caty, do Fulozita, descreveu: “Mesmo tendo um produto pronta entrega disponível, minhas clientes gostam mesmo é de personalizar ao máximo os produtos que compram e eu acabo gostando de trabalhar assim, dando uma carinha especial a cada peça que faço.”

O crafter/artesão tem uma característica que pode valorizar ainda mais o seu negócio: trabalhar com histórias e emoções ao criar produtos que são uma mistura da personalidade de quem fez com a de quem encomendou, por isso aceitar encomendas pode ser essencial. “Personalizar uma encomenda envolve um mix de emoções, expectativas e uma criação muito especial. Dá trabalho reunir informações precisas a respeito do cliente, muitas vezes tentar descobrir o que eles desejam?!! Sim, mas isso também torna aquele produto mágico e único. (...) Trabalhar com um produto personalizado é contemplar a singularidade, na minha opinião.” Keithe, Menina Lima.

Mas aceitar encomendas personalizadas requer muita dedicação e criatividade para simplificar o processo de oferecer opções sem confundir os clientes e reduzir a troca de e-mails ao máximo, para que não fique um atendimento confuso e eles acabem desistindo da compra. A sugestão da Ingrid Nirve, do Estúdio Fina Flor, é muito interessante e pode ser usada também na hora de oferecer esse “mundo de possibilidades” que queremos proporcionar aos nossos clientes: “(...) é importante ter um portfólio que sirva como base para guiar os clientes. É através do portfólio (físico ou digital) que os clientes vão conseguir enxergar o que cada profissional pode (ou não) fazer.”

        . Leia o post Menos É Mais! Simples Assim!, que vai poder te ajudar nessa questão.

{ conheça o estúdio fina flor }

O prazo de entrega também precisa ser tratado com carinho, pois a ansiedade do cliente pode ser implacável. É o que a Vanessa Biali, do Vanessa Biali - A Magia do Feito à Mão, comentou: “Normalmente, os prazos de entrega que ofereço aos meus clientes são longos. Sinto que atualmente é impossível essa redução de tempo, pois trabalho sozinha em todo processo, desde o primeiro contato com o cliente até a entrega final do meu trabalho. E, de fato, preciso de bastante tempo para produzir bem com a qualidade que considero importante, qualidade esta em relação ao atendimento ao cliente até a confecção das peças encomendadas. Porém, infelizmente, preciso recusar algumas encomendas em função do prazo que o cliente precisa e do prazo que posso oferecer.”

Esse é um dos maiores desafios que eu e a Helô enfrentamos no Cupcake Hortelã. No primeiro mês foi perfeito, pedíamos uma semana de prazo para nossas clientes e elas ficavam bem satisfeitas. Mas as encomendas foram aumentando até chegar ao ponto de desde o final de maio estarmos com nossa agenda fechada até agosto! Com isso perdemos clientes que não querem esperar, temos que trabalhar bastante a ansiedade de quem já pagou e está esperando a sua encomenda ficar pronta e não temos tempo para colocar novidades na loja, nem criar novos produtos, o que faz com que as pessoas voltem menos a nos visitar. Isso acaba sendo um delimitador no crescimento.

Então investir apenas nas encomendas parece ser uma ótima opção para quem quer crescer bem calmamente ou para quem tem um craft business como segunda profissão como a Ana, do Clube da Joaninha: “Desde que comecei a comercializar meus produtos trabalho somente sob encomenda. Esta forma de trabalho é a ideal para meu ritmo de vida. O fato de trabalhar sob encomenda possibilita estabelecer prazos conforme meu ritmo. Dessa forma consigo organizar minha vida pessoal e não me torno escrava das minhas encomendas. Hoje já sei direitinho quanto tempo preciso para cada produção, assim nunca pego encomendas que não vá conseguir atender.”

Porém a pronta entrega não deixa de ser muito importante e de ser a única (ou principal) opção de alguns ateliês... e é sobre isso que vamos falar na segunda parte do nosso post coletivo, quando também vou disponibilizar os depoimentos que recebemos na íntegra, combinado?