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{ post coletivo } pronta entrega x encomenda, parte II

Por Cissa Chiarini

Lembra onde paramos na primeira parte do nosso post coletivo? Vamos continuar?

Terminamos falando que a pronta entrega não deixa de ser muito importante e de ser a única (ou principal) opção de alguns ateliês.. e a experiência da Elaine Rodrigues, do Elaine Rodrigues Artes, nos mostra isso: “Resolvi fazer alguns [produtos] também a pronta entrega, pois acredito que o que os olhos veem o coração quer (...) às vezes o cliente quer comprar naquele momento, tem cliente que quer personalizado de acordo com o gosto dele, mas tem outros que não se importam com isso. Então a lição que tirei é essa: continuar trabalhando por encomendas e ter algumas peças para pronta entrega.”

{ conheça o menina lima }

Essa é uma escolha que tem muito a ver com o perfil do crafter/artesão, sua disponibilidade e a forma como prefere cuidar do seu negócio, como é o caso da Flávia Ribeiro, do Flá Ribeiro, que optou por atender apenas pronta-entrega: “(...) confecciono toy art de tecido e pelúcia, onde dedico o meu handmade sempre em algo diferente e engraçado, pois acho que a imaginação só é estimulada se houver um toque “não tão óbvio”, assim acabo atraindo a atenção para as minhas criações. Como não tenho o artesanato como a minha principal atividade, sou servidora pública, necessito organizar bem o tempo que dedico ao craft, desta forma, opto sempre em produzir o toy art e logo após divulgar na minha lojinha virtual, pois assim poderei atender os clientes em pronta-entrega, já que não tenho a possibilidade de atender encomendas personalizadas. Não por falta de vontade ou interesse, mas por não ser possível neste momento de vida.”

Na pronta entrega se a descrição do produto estiver bem completa e tudo explicadinho, as dúvidas serão menores e mais rápidas e você vai atender clientes que se apaixonaram pelo seu trabalho/produto, mas não fazem questão de algo tão personalizado (ter sido feito à mão já é visto como o diferencial principal), não querem esperar pelo prazo de entrega ou precisam daquele produto “para ontem”.

Também terá a oportunidade de aumentar a chamada “venda por impulso”, naquele momento de paixão a primeira vista, que se você (como cliente!) precisar mandar e-mail, escolher o tecido/tamanho/linhas/botões, esperar, esperar, vai acabar optando por não comprar (infelizmente, alguns portais de hospedagem de lojas virtuais não nos dão essa opção!).

E olha que interessante o depoimento da Deborah Probst, do Biscoitos da Deborah: “A pronta entrega exercita a criatividade... você acaba pesquisando acerca de novas técnicas e com a resposta dos clientes pode traçar um perfil de consumo para determinado produto e também adquire mais segurança na hora de oferecer um produto personalizado.”


Apesar da aparente facilidade de se oferecer produtos pronta-entrega, não é bem assim e a Flávia Ribeiro explica o porquê: “(...) o produto pronta-entrega é algo mais difícil para quem está produzindo, pois há a necessidade do feeling do artesão com os clientes e o próprio mercado, para atender a necessidade e conquistar com algo que já está pronto e idealizado.” É esse feeling, difícil de exercitar, que vai fazer com que os produtos não fiquem parados na sua loja, como constatou a Keithe, do Menina Lima: “O ponto negativo ao meu ver de um produto para pronta entrega, é que aquilo que é bom para mim, pode não ser para meu cliente... Eu amo amarelo, e em quase 3 anos da nossa trajetória, eu só fiz uma encomenda em que o amarelo predominava (e esse é um dos detalhes que envolvem a criação de um produto; a cor!)”

Produto parado significa também matéria-prima "imobilizada", como a Márcia, do Coisinhas de Marcinha, nos contou: "Eu acho ótimo as peças já prontinhas...o ruim é só para quem mora um pouco longe dos grandes centros a reposição do material. Explico: por exemplo, faço um chinelo e o deixo ali prontinho e sem mais tecido daquele, e de repente recebo uma ecomenda de uma necessaire que teria que ser no mesmo tecido do chinelo, a princípio claro vamos oferecer outro tecido mas nem sempre isso vai dar certo. Como tudo na vida é o tal do 50% - e +." Mas essa imobilização de matéria-prima também acontece quando oferecemos só encomendas, pois precisamos ter um estoque para oferecer opções para os clientes, certo?

O que podemos perceber com tantos depoimentos interessantes é que esse é um assunto relacionado à estratégia do seu negócio, seus objetivos e ao tempo que tem para se dedicar a eles. É importante que você se planeje bem, que suas ideias criativas sejam usadas para criar um processo de encomendas e/ou pronta-entrega acolhedor para você e seus clientes. Um equilíbrio entre as duas formas parece ser o ideal, mas se você perceber que não está conseguindo atender bem nem os clientes que preferem as encomendas, nem os que preferem pronta-entrega, talvez seja mais sensato optar por um deles até conseguir se estruturar melhor. Esse feeling que a Keithe mencionou, é essencial e só você, no seu dia-a-dia, vai conseguir estabelecer qual a melhor opção para o seu negócio. O importante é fazer tudo com o coração e com muito profissionalismo, certo?!

Espero que vocês tenham gostado dessa nossa experiência de post coletivo... e aconselho lerem os comentários feitos na primeira parte desse post, tem muito depoimento bacana que enriqueceu ainda mais a nossa conversa! E os comentários aqui serão muito bem-vindos também...

Aproveito para agradecer a participação de todos, seja por e-mail, pelos comentários no blog, no Twitter... são vocês que fazem o Assim, Sim! ser essa delícia de comunidade!

Um beijinho especial para as queridas...

     . Ana Amélia, Clube da Joaninha
     . Carol Thomé, Dona Xuxu
     . Caty Lopes, Atelier Fulozita
     . Deborah Probst, Biscoitos da Deborah
     . Elaine Rodrigues, Elaine Rodrigues Artes
     . Flávia Ribeiro, Flá Ribeiro
     . Ingrid Nirve, Estúdio Fina Flor
     . Keithe Lima, Menina Lima
     . Lu Soares, Lu Soares Bolsas + Acessórios
     . Luciana Casado, Aluada
     . Márcia Marinho, Coisinhas de Marcinha
     . Samira Turra
     . Sara Graciano, Tubittas
     . Vanessa Biali, Vanessa Biali - A Magia do Feito à Mão