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{ minha experiência } por maria alice miller

por Maria Alice Miller . Casa Com Design

Gostei muito da experiência de escrever para o Assim, Sim!, pois minha formação primeira foi em Administração. Gosto da ciência, mas a verdade é que, seja em grandes ou pequenas empresas, fábricas ou artesãos, raramente se leva a sério o que se estuda na universidade... Isso acontece por muitos motivos: desconhecimento, preguiça (organizar dá trabalho...), medo de mexer no que "está dando certo", enfim, muitos motivos que, a meu ver, são valorizados de forma enganosa e que retornam na forma de perdas que não são contabilizadas.

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O lucro é reduzido por elas mas, mesmo assim, quem gerencia o negócio insiste em não ver que, se fizesse um pouquinho diferente, poderia ter melhores resultados. Tenho duas pequenas lojas virtuais no já famoso Elo7: uma delas, de bijuterias, surgiu na esteira da minha necessidade de "trabalhar com as mãos". Explico: trabalhei como designer de interiores durante uns 10 anos. A carreira é muito difícil e eu verificava que, na verdade, estava "pagando para trabalhar" - sem contar o desgaste físico e emocional que é acompanhar e resolver os problemas de obras e reformas em residências de clientes. Daí que resolvi me voltar exclusivamente ao que faço de melhor: escrever em meu blog e para o blog de empresas da área. Esta hoje é minha real "profissão", o que me mantém.

Mas, depois de sair da área de humanas e vivenciar a beleza, o sonho e a satisfação que é a área de criação, tive que manter alguma atividade que me desse um canal para a minha criatividade. As bijous pintaram aí, e daí veio a loja. A outra loja virtual surgiu por conta da paixão que tenho por tecidos: é de produtos para decoração de mesas (jogos americanos e sousplats), além de uma linha especial feita em vidro reciclado por meu amigo, o artista plástico Paulo Vergueiro. Esta segunda loja é mais recente e menos badalada, portanto, aqui neste texto, vou me ater às minhas experiências com as bijuterias.

Voltando ao que dizia no início, de lá do que aprendi nas cadeiras da faculdade, vejo que uma primeira coisa que todo artesão peca é no PLANEJAMENTO: quanto comprar, onde comprar, quando repor, quanto guardar, tudo isso pode ser avaliado com o passar do tempo da atividade, já que ninguém sabe muito bem, antes de entrar na nova empreitada, esses "quantos" todos.

Já me vi sem peças pedidas por clientes e cheia de outras por falta de perceber o que meu "mercado" pedia. Já fiz bazares "reais" em que passei de uma noite para outra montando brincos que me faltaram para vender no primeiro dia. Já perdi bons fornecedores, de produtos ótimos e com bons preços por não guardar ao menos seu telefone! Enfim, planejar é o princípio de toda organização. Se você faz cupcakes e sabe que no dia dos namorados sua demanda é grande, planeje-se com antecedência. Se seu negócio é criar velas e no Natal os pedidos são muitos, vá fazendo um estoque durante o ano. Basear-se nas vendas e nos pedidos não atendidos numa época anterior é uma boa base para diagnosticar estes problemas. 

PESQUISAR é outro verbo que precisa ser levado a sério por todo artesão ou pequeno empreendedor. Isso às vezes é deixado de lado simplesmente porque "tudo que você faz, vende". É muito bom ter um negócio assim, mas lembre-se de modas passadas que, depois de um ápice, rolaram ladeira abaixo em termos de vendas e tudo o que os donos fizeram foram fechar as portas. De novo, os cupcakes: eu os adoro, adoro doces, adoro os confeitos, adoro tudo! Mas, como consumidora, sei que a moda vai passar uma hora dessas... Como sempre acontece, alguns poucos sobreviverão pois seu produto é bonito, gostoso, barato (ou de custo apropriado), de fácil acesso, etc.

Mas, e quem não sobreviver, o que fará? Por isso a pesquisa é importante: o cupcake vai virar outra coisa? Ou ter uma torta deliciosa - que ninguém mais faz - vai ser sua saída? Estar por dentro do que está surgindo é muito, muito importante. Veja o exemplo das grandes fábricas de sorvete que, hoje, já oferecem versões de iogurte gelado em suas geladeiras nos supermercados...

MOSTRAR seu produto ao mundo, a todos, até a Rainha da Inglaterra se possível! É incrível como os amigos vendem para a gente. É incrível também o quanto "passa batido" para eles, o fato de que, agora, você faz cestas de café da manhã! Já percebi, depois de tempos, que amigas minhas próximas não sabiam nem das minhas bijuterias, nem da minha loja de jogos americanos...

Distribua amostras, faça sorteios, promoções, parcerias, entre nos blogs que tenham a ver com seu produto e mostre aos leitores e à blogueira o que você faz. Claro, seja elegante e não insista: deixar comentários só para mostrar o que você faz ou entrar no blog de um concorrente para fazer propaganda sua é digno de ser condenado ao ostracismo na grande rede... Mostre seus produtos nas mídias sociais sem ser chato: mostre um, dois, três bons produtos - com ótimas fotos, claro - e pare. Converse sobre outros assuntos, fale de você, cumprimente e sinta-se à vontade: afinal, a mídia é social, e você é uma pessoa interessante que faz um artesanato bonito a ser apreciado - não, você não é somente o seu artesanato!

Este último toque eu mesma estou aprendendo: vale muito mais um relacionamento com seus seguidores e seguidos do que tentar mostrar isso e aquilo que você fez. Conheço donas de fábricas de doces ou lojas de moda que têm perfis pessoais e simples no Twitter - e todo mundo sabe o que elas fazem. Logo, relaxe e seja você mesma, mostrando de mansinho o que há de novidades, consultando aos mais próximos o que acharam, brincando com conveniência, ajudando em causas que afetem muitos e sejam impactantes, atuando enfim, como uma pessoa bacana que eu sei que você é.

Tenho certeza que, fazendo amigos, você vai ter muito mais clientes!

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